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Justiça para Marielle: PSOL convoca jornada de lutas em todo o país

Justiça para Marielle: PSOL convoca jornada de lutas em todo o país
Crédito da foto:Michel Coeli

A Executiva Nacional do PSOL, em reunião nessa sexta-feira (23), convocou a militância do partido a realizar uma jornada de lutas em todo o país em defesa de justiça para Marielle Franco, dando prosseguimento às diversas manifestações que vêm tomando conta do país contra a intervenção militar no Rio de Janeiro e em defesa das pautas defendidas por Marielle, como o combate ao machismo e ao racismo e a defesa dos Direitos Humanos.

A direção do partido também aprovou a realização de uma grande campanha pública em defesa do legado e da memória de Marielle Franco, para combater as narrativas, especialmente de Michel Temer e da TV Globo, que têm tentado usar a morte da vereadora do PSOL para reforçar a intervenção militar no Rio de Janeiro.

Leia a resolução completa

Executiva Nacional do PSOL:

Resolução sobre a luta em defesa de Justiça para Marielle

Considerando que:

1- A comoção causada pela execução de Marielle levou milhares de pessoas para as ruas no Brasil e em todo mundo. Trata-se de um crime político. Marielle foi assassinada por ser negra, mulher, trabalhadora, moradora de favela, bissexual e também por ser lutadora, de esquerda, de um partido socialista que defendia a pauta dos direitos humanos e causa dos oprimidos e explorados. Marielle era mulher negra, que desafiou o machismo e ousou enfrentar a escalada de violência crescente entre as mulheres negras. Marielle reunia em sua figura todos os símbolos de resistência perseguidos historicamente pelos poderosos em nosso país.

2- O assassinato político, racista e misógino de Marielle demonstra toda a gravidade do momento político em que vivemos. Tentaram calar a voz das bandeiras defendidas por Marielle. Mas o resultado foi o inverso. O grito de luta de Marielle ganhou o coração de milhões, através de atos em todo país e a nível internacional, sendo que no Rio de Janeiro 150 mil pessoas tomaram as ruas. Marielle virou semente.

3- O PSOL-RJ há uma década faz enfrentamento contra a perigosa máfia das milícias. No ano de 2008, a CPI das milícias indiciou mais de 200 políticos, policiais, bombeiros e civis. Marielle era parte do processo de combate a essa máfia. No mês de fevereiro de 2018, Marielle foi nomeada relatora da comissão de acompanhamento da intervenção militar da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Nos seus últimos dias de vida, vinha denunciando ações de extermínio da Polícia Militar em comunidades do Rio, como as ocorridas recentemente em Acari. A execução de Marielle ocorreu numa cidade sob intervenção militar federal. Estamos perante o assassinato político de uma parlamentar que denunciava ações de agentes e instituições diretamente envolvidas com a medida.

4- A extrema-direita e seus sites vem divulgando notícias falsas sobre Marielle. Trata-se de algo mais grave do que meros “fake news”, pois estamos diante de um crime contra a memória e trajetória de Marielle. Por isso, é fundamental redobrar os esforços jurídicos a serviço de combater esse crime perpetuado na internet por uma extrema-direita criminosa e desumana. Neste sentido tem sido fundamental a respostas nas ruas e ações políticas e jurídicas do partido que tem ajudado no recuo dessas calúnias contra Marielle até o momento.

5 – Da mesma forma, frente à tentativa da grande mídia e do governo Temer de se utilizarem da execução de nossa companheira para aprofundar a militarização da sociedade e a intervenção militar, reafirmaremos a posição do PSOL e de Marielle contra a intervenção federal dos governos Temer e Pezão e na defesa de uma outra lógica de segurança pública. Não deixaremos que se esqueça que Temer, Pezão e o PMDB são os principais responsáveis pela crise em que se encontra o Rio de Janeiro.

6- Desenvolver essa nossa localização só é possível se formos capazes de oferecer a política correta para as tarefas imediatas e, ao mesmo tempo, compreender o que de mais estratégico está por trás da disputa de narrativas contra a linha da classe dominante.

A Executiva Nacional do PSOL resolve que:

a) Orientar toda sua militância e os diretórios estaduais, em especial do Rio de Janeiro, a seguir nas ruas, dando prosseguimento à luta em defesa de justiça para Marielle exigindo a rápida apuração do crime. Os atos devem ser convocados pelo PSOL, Frente Povo Sem Medo em unidade com os partidos, movimentos sociais, centrais sindicais, movimento negro e demais movimentos sociais. Portanto, defendemos a mais ampla unidade de ação com todos e todas que estejam em prol da luta por justiça por Marielle.

b) Ao mesmo tempo, o partido declara abertamente que as bandeiras de Marielle são também suas bandeiras e permanecem plenamente vigentes: Não à intervenção militar, contra a militarização da vida, pelo fim da polícia militar, em defesa das liberdades democráticas, contra o machismo e o genocídio do povo negro.

c) Orientar a construção de um grande dia de luta para o dia 28 de março, orientando que esse seja um dia Nacional de luta, com a realização de Atos em todos os estados em caráter de unidade de ação. A data é prevista para mobilizações em todo país em homenagem aos 50 anos do assassinato de Edson Luís pela ditadura militar, em 1968.

d) Organizar na data que completa um mês do assassinato da companheira uma grande jornada de luta em todo o país, com atos, protestos e mobilização, com caráter amplo de unidade de ação.

e) Combater a narrativa construída pela grande mídia e a burguesia que busca vincular o assassinato de Marielle a necessidade de mais intervenção federal no Rio de Janeiro. Condenamos o envio de mais verbas para recrudescimento do processo de intervenção militar do Rio. O PSOL deve reforçar sua posição contra a intervenção federal, dando especial atenção a ADIN ajuizada pelo partido no STF contra a intervenção e que está prevista para julgamento em plenário.

f) Organizar uma campanha pública (com nome a definir) em defesa do legado e da memória de Marielle Franco. Com espaço especial no site do PSOL, com artes para internet, materiais públicos e outras iniciativas.

Sobre o autor

Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional

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