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Jean Wyllys | Matheusa, presente!

Jean Wyllys | Matheusa, presente!

Desde a semana passada, quando surgiram os primeiros alertas de amigos avisando que a estudante da UERJ Matheusa Passarelli, de 21 anos, estava desaparecida, nosso mandato se juntou às manifestações que denunciaram o seu sumiço com pedidos e buscas por informações. Sabíamos do potencial de gravidade da denúncia por se tratar de uma pessoa não-binária, andrógina, um corpo que transitava pelas fronteiras de gênero.

Nossa equipe de assessores no Rio também buscou contato com a família, os amigos e com a delegacia envolvida no caso para contribuir com a divulgação do que fosse preciso e também pressionar para que as investigações fossem céleres e diligentes.

A suspeita, como a maioria das pessoas já sabem, era de que Matheusa tivesse sido vítima de algum tipo de violência. Sabíamos, é claro, que sua aparência era fator de risco. Que o simples trânsito do seu corpo pela cidade, ainda mais durante a madrugada, era em si motivo de alarde.

Infelizmente, o pior que poderíamos esperar aconteceu. Há dias nossa rotina incluía certo grau de ansiedade com o caso, mas nossa angústia estava combinada com a esperança de que, ao final, tudo acabasse bem. E aí veio a notícia que não queríamos ter que divulgar e que eu e minha equipe recebemos com muito abalo e lamento .

A polícia concluiu que Matheusa foi assassinada e as circunstâncias ainda estão sendo investigadas. Eles ainda disseram que seu corpo teria sido incinerado para eliminar indícios do crime. Um assassinato brutal seguido de uma eliminação impiedosa do corpo.

Mais uma família foi destruída. Jovens alunos da UERJ, que nos revelaram histórias fantásticas da convivência com Matheusa, pessoas de vinte e poucos anos, como ela, ou até com menos idade, estão traumatizadas com a perda de uma pessoa querida.

A dor é muito grande. O nosso sentimento é de responsabilidade. É como se tivesse ocorrido com alguém muito próximo. NÓS, as pessoas LGBT, em geral, vivenciamos a vulnerabilidade e o risco diante do preconceito. Quando ele não é o motivo da violência, está presente como um incremento, uma potencialização. Por isso é impossível também não nos refletirmos nessa história que é, de alguma maneira, nossa.

Estou triste, mas não imóvel. Consternado, mas não calado. Quero a responsabilização dos culpados. Tiraram de nós uma pessoa criativa, estudiosa das artes, admiradora da beleza e da estética libertária. Quero lembrar e guardar na memória suas contribuições e atrevimentos.

Sobre o autor

Jean Wyllys é deputado federal pelo PSOL-RJ.

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