Mais retrocessos: Temer articula agenda para votar reforma da Previdência

Mais retrocessos: Temer articula agenda para votar reforma da Previdência

Após ser salvo pela Câmara dos Deputados da investigação por corrupção passiva, o presidente Michel Temer gira o seu empenho para votar as medidas consideradas prioritárias de seu governo, entre as quais a reforma da Previdência (PEC 287/2016). Já aprovada em comissão especial, a matéria está paralisada devido à falta de acordo entre os deputados e também à crise política no governo após a denúncia protocolada contra Temer pela Procuradoria-Geral da República.

Na tarde deste domingo (06/08), o presidente ilegítimo recebeu, no Palácio do Planalto, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados; e o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado Federal, para articular a agenda de votação da matéria no Congresso Nacional. A expectativa do governo é votar a reforma no plenário da Câmara até o início de setembro e em seguida enviar para o Senado. Também participaram da reunião os ministros da Fazenda, Henrique Meireles; da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy; e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

Por se tratar de uma emenda constitucional, a reforma da Previdência precisa de no mínimo 308 votos para ser aprovada, do total de 513 deputados. Segundo lideranças governistas no Congresso, o objetivo agora é reorganizar a base para conseguir esse quórum, que é considerado alto. Até o momento, o Palácio do Planalto não tem os votos necessários para aprovar a reforma.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Mas na reunião, Temer garantiu o apoio de Maia e Eunício para levar adiante a votação das mudanças nas regras da aposentadoria de trabalhadores dos setores público e privado e também de outras medidas do pacote econômico do governo. Para isso, irão pressionar os deputados que votaram a favor da investigação contra Temer, como os do PSDB e de outros partidos da base aliada.

Além da PEC 287, o governo também se empenha para acelerar a tramitação da reforma política.  São dois os principais projetos em tramitação, que em pouco tempo devem ser votados: as PECs 77 e 282. Por serem emendas constitucionais, ambas precisam ser aprovadas em dois turnos na Câmara e no Senado antes de 1º de outubro deste ano para valer já nas eleições de 2018.

O PSOL manterá a sua coerência, denunciando os ataques preparados pelo governo, cada vez mais afundado numa crise política sem precedentes. Para o partido, é evidente o esforço de Temer e seus aliados para votar os projetos antes que uma segunda denúncia contra ele chegue à Câmara dos Deputados. Até lá, vai continuar valendo a política de troca de favores, compra de votos e liberação de emendas parlamentares. O PSOL, por meio de sua bancada na Câmara e sua militância nas ruas, dirá não às reformas política e da Previdência.

Post source : Valter Campanato/Agência Brasil

Sobre o autor

Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional