Câmara sela acordão e nega investigação contra Temer

Câmara sela acordão e nega investigação contra Temer
Crédito da foto: Antônio Augusto/Câmara dos Deputados

Os deputados da base de apoio do governo ilegítimo rejeitaram, em sessão nesta quarta-feira (02/08), a investigação contra Michel Temer, mantendo o relatório da CCJ sobre a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva.

O relatório é do deputado Paulo Abi-Acke (PSDB/MG). Foram 263 votos favoráveis ao texto e 227 contrários, com 2 abstenções, totalizando 492 votos. Foram 19 parlamentares ausentes.

A denúncia da PGR contra Temer foi com base nas delações feitas à operação Lava Jato pelo empresário Joesley Batista, da JBS. O presidente é acusado de ser o destinatário da mala com R$500 mil flagrada com o deputado Rocha Loures (PMDB).

A decisão selou, portanto, o acordão que vinha sendo costurado ao longo das últimas semanas, que incluía troca de favores e liberação de emendas parlamentares para garantir os votos em favor de Temer. Até às vésperas da sessão, o Palácio do Planalto movimentou as peças do xadrez, negociando com diversos parlamentares coniventes com o seu governo e favoráveis às reformas que colocam em risco direitos históricos da população brasileira. Algumas medidas também foram feitas de última hora, para agradar alguns setores do empresariado, incluindo a bancada ruralista.

A bancada do PSOL, que denunciou durante todo o tempo as manobras em curso, votou contra o parecer de Paulo Abi-Acke. Durante o dia, o partido esteve em obstrução para tentar impedir o quórum, já que Temer não precisaria vencer a votação, sendo apenas necessário que não houvesse 342 votos favoráveis no plenário.

Ainda no início da sessão, a oposição, por iniciativa do PSOL, protocolou, no STF, um Mandado de Segurança com pedido de liminar para que fosse votada a denúncia contra Michel Temer e não o parecer da CCJ. Caso fosse concedida, a liminar mudaria o formato do voto em relação à denúncia. Não seria, portanto, necessário votar o relatório, e sim a própria denúncia. O entendimento se baseou no artigo 86 da Constituição Federal, que trata da acusação contra o presidente da República por crimes comuns.

Durante a orientação do voto do PSOL, o líder do partido, Glauber Braga, fez contundente fala denunciando o acordão. Para Glauber, os deputados que votaram a favor de Temer são agora cúmplices da mala de dinheiro de Rocha Loures. Assista:

URGENTE! VAI COMEÇAR A VOTAÇÃO DO AFASTAMENTO DE TEMER. GLAUBER FAZ A ORIENTAÇÃO COM A BANCADA DO PSOL NO PLENÁRIO!

Posted by Glauber Braga on Wednesday, August 2, 2017

Antes, Glauber Braga criticou a blindagem feita pela base de apoio, sob a liderança do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que encaminhou o encerramento da discussão antes mesmo de atingir o quórum de 342 deputados. Braga disse que o PSOL atuará até o fim para garantir que Temer saia do comando do país.

Como forma de protesto, a bancada do PSOL na Câmara levou uma mala simbolizando os 500 mil entregues a Rocha Loures, ex-assessor presidencial de Temer.

Foto: PSOL na Câmara

 

 

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Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional