Ação desproporcional das forças de segurança contra 150 mil no Ocupa Brasília mostra desespero de Temer

Ação desproporcional das forças de segurança contra 150 mil no Ocupa Brasília mostra desespero de Temer
Crédito da foto: Danielle Assis/PSOL

Cerca de 150 mil pessoas, de vários estados do país e de diversos setores da população, encheram as ruas do centro da capital da República, na tarde desta quarta-feira (24/05). Desde logo cedo, o estacionamento do estádio Mané Garrincha ficou cheio com as caravanas de trabalhadores, estudantes e militantes sociais que vieram para o #OcupaBrasília, dizer que o governo ilegítimo de Michel Temer não mais se sustenta e pedir a imediata convocação de eleições diretas. O caminho que liga o estádio Mané Garrincha até o Congresso Nacional – incluindo o Eixo Monumental e toda a Esplanada dos Ministérios – virou um mar de gente.

Trabalhadores de várias categorias, servidores públicos, professores, estudantes e militantes sociais protagonizaram uma das maiores manifestações vista nos últimos anos. Os mais variados coros denunciaram a política de ajuste fiscal do Palácio do Planalto e de seus aliados. Mas Temer, preocupado com a reação do povo, que não aceita mais que ele se mantenha no governo aplicando a sua política de retirada de direitos, optou por acionar todo o aparato de segurança do estado para acabar com a grande manifestação.

#NinjaAoVivo! Forte repressão a #OcupaBrasilia na chegada ao Gramado do Congresso Nacional

Posted by Mídia Ninja on Wednesday, May 24, 2017


Com a marcha ainda em andamento, quando as primeiras colunas de manifestantes chegaram mais próximos ao Congresso Nacional, a tropa de choque da Polícia Militar usou da violência, jogando spray de pimenta, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. O carro de som principal, que conduziria o ato em frente ao Congresso, foi impedido de seguir devido às bombas que foram jogadas em sua direção.

A Esplanada dos Ministérios virou uma verdadeira praça de guerra e estima-se que 49 pessoas ficaram feridas, entre manifestantes e jornalistas que cobriam o ato. Muitas colunas de várias organizações não conseguiram terminar de chegar ao Congresso, devido à dispersão provocada pela truculência da polícia. Mas mesmo com toda a violência, milhares de pessoas continuaram o protesto, especialmente pedindo a saída de Michel Temer da Presidência da República. Houve também o uso de armas de fogo por parte de policiais militares contra um grupo de pessoas, na parte dos anexos da Esplanada.

O auge do desespero de Temer foi a iniciativa de determinar o uso das Forças Armadas para lidar com as manifestações até o dia 31, em nome “da Lei e da Ordem”. Para muitos advogados e juristas, na prática o governo decretou um verdadeiro “estado de sítio” no país. Na avaliação do professor de Constitucional da Fundação Getúlio Vargas, Rubens Glezer, no caso específico do decreto para reprimir manifestação popular não era cabível tal atitude na hipótese em que ocorreu.“A atuação das Forças Armadas é disciplinada no na lei em hipóteses que o policiamento ostensivo não é suficiente, o que claramente não é o caso. Além disso, houve evidente abuso na decretação do período que compreende 24 de maio a 31 de maio, um período injustificável que coincide com a agenda do governo. Flerte perigosíssimo com o estado policialesco sem limites”. 

URGENTE! Brasília virou praça de guerra com repressão brutal

Posted by PSOL 50 on Wednesday, May 24, 2017

 

 

Para o presidente nacional do PSOL, a reação do presidente ilegitimo e de seus aliados foi semelhante àquela escolhida pelos militares no final do regime de exceção: repressão violenta contra trabalhadores e estudantes numa pacífica e gigantesca manifestação. “O povo não recuou e, num ato de desespero, Temer decreta intervenção militar em Brasília”.

O dirigente nacional destaca que o partido não aceita o decreto e que sua militância continuará nas ruas pedindo a saída de Temer do governo. “Repudiamos este ato de força. Exigimos sua imediata revogação. Aliás, junto com todo povo brasileiro exigimos a revogação deste governo e a convocação imediata de eleições diretas”.

A bancada do PSOL na Câmara apresentou, no fim da tarde desta quarta, um Projeto de Decreto Legislativo para suspender o decreto de Michel Temer. O projeto foi assinado pelo líder da bancada, Glauber Braga, junto a Ivan Valente, Jean Wyllys, Luiza Erundina, Chico Alencar e Edmilson Rodrigues.

Após a forte pressão das ruas, das redes sociais, de lideranças sociais e partidárias, de organizações de direitos humanos e de juristas, Temer revogou nesta quinta (25) voltou atrás em sua atitude desesperada. Até integrantes de sua base aliada criticaram a ação do presidente. A revogação saiu em edição extra do Diário Oficial da União de hoje.

Ainda na tarde desta quarta, com a Mesa da Câmara ocupada, o líder Glauber Braga denunciou a forte repressão policial contra os manifestantes e parlamentares que participaram do Ocupa Brasília.

"O PARLAMENTO NÃO PODE VIRAR AS COSTAS PARA O POVO BRASILEIRO. DIRETAS JÁ!"Com a Mesa da Câmara ocupada, o líder do PSOL na Câmara, Glauber Braga (RJ), denunciou a forte repressão policial contra os manifestantes e parlamentares que participam do #OcupaBrasília.

Posted by PSOL na Câmara on Wednesday, May 24, 2017

 

 

Em protesto contra o que acontecia do lado de fora, o PSOL e outros partidos de oposição se retiraram do plenário. Nenhum ato repressivo poderá fazer recuar a vontade de mudança. O PSOL lutará ininterruptamente em defesa da democracia, pela saída de Michel Temer da Presidência da República e pela convocação imediata de eleições diretas.


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Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional