Paralisação da PM no Espírito Santo e a vida das mulheres

Paralisação da PM no Espírito Santo e a vida das mulheres
Crédito da foto: Nunah Alle

Nota das mulheres do PSOL em solidariedade a luta das mulheres no ES

Nós, mulheres do PSOL acompanhamos há mais de uma semana a paralisação da Polícia Militar no Espírito Santo, movimento organizado pelas famílias dos policiais e protagonizado por mulheres. Esposas, mães, irmãs e filhas, em sua maioria negras, se reuniram para defender e exigir maiores direitos para a categoria.

Os relatos dessas mulheres nos apontam que ao contrário do que vêm sendo difundido, elas não são marionetes, muito menos loucas, são conhecedoras da realidade enfrentada pelos militares e vítimas do machismo que assola nossa sociedade. Elas afirmam que se sentem ofendidas quando escutam que a manifestação é da PM, pois parece que elas não são capazes de pensar, se organizar e lutar por melhorias na condição de vida. Entre as reivindicações as principais estão o aumento de salário, que não é reajustado há sete anos e a anistia aos policiais que já estão sendo processados em razão da paralisação. Porém, elas contam que o descaso do Governo ultrapassa todos os limites, o Hospital da Polícia Militar está sucateado, não oferece serviço de pediatria e tão pouco atendimentos especializados fundamentais como os de psicologia e psiquiatria. Os coletes à prova de balas estão com o prazo de validade vencidos e sem previsão de renovação, as viaturas circulam em péssimas condições e a pressão interna que sofrem os policiais resulta em um dia-a-dia angustiante para quem os acompanha.

Além dessas mulheres, que corajosamente ocupam as portas dos batalhões, temos as mulheres que protestam do outro lado da rua pedindo o fim das mortes de jovens negros, que dispararam desde o início da paralisação da polícia. Mulheres, também em sua maioria negras, que vivem diariamente a dor de perderem seus filhos, companheiros, e familiares para o racismo. Vítimas de um sistema de segurança que pune, persegue e elimina pela cor da pele. É o “atira primeiro e depois pergunta”. São mais de 100 corpos e tudo o que se informa são números. A mídia omite as histórias, preserva o governo e reproduz conteúdos de violência que desesperam a população e geram lucro.

Hoje, com o Exército nas ruas o que tentam vender é a imagem de que a normalidade voltou a reinar na Grande Vitória e que aos poucos a população pode sair das suas casas e retomar a liberdade. Porém, enquanto isso, o número de homicídios não para de subir, linhas de ônibus que tem destino nas periferias ainda não circulam, e, as mulheres que protestam em defesa dos policiais sofrem ameaças e hostilidade por parte dos governantes e também da sociedade.

Essa crise na segurança pública que assola o Espírito Santo é reflexo do sistema de segurança que é implantado no país, com a polícia militarizada, no qual a principal vítima é a população negra. Por isso, defendemos, entre outras coisas, o debate da desmilitarização da polícia. O contexto é de muita complexidade e entre a avalanche de informações e disputa de discursos, o machismo se propaga e a narrativa das mulheres é invisibilizada. As tragédias ocorridas em território capixaba tem responsáveis e esses são o Governo de Paulo Hartung e o Governo ilegítimo de Michel Temer. Esses, não serão poupados! Nós mulheres do PSOL nos solidarizamos com todas as mulheres que nesse processo têm sido vítimas do Estado, que retira direitos da classe trabalhadora, se nega a dialogar com os movimentos, apresenta o uso da força como solução de crises e mata quando se omite.

Que a a força e o espírito de resistência das mulheres inspire as lutas que virão. É preciso ter coragem!

Vitória/ES,14 de fevereiro de 2017
Mulheres do PSOL

Sobre o autor

Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional