Lava Jato: Novas denúncias reforçam necessidade de ampla investigação para desvendar desvios

Do PSOL Nacional, Leonor Costa

Os últimos desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga denúncias de desvio de recursos na Petrobras por meio de licitações fraudulentas, confirmam haver uma grande teia de personalidades políticas envolvidas com o esquema, o que requer um minucioso trabalho de investigação para se chegar à conclusão dos fatos. Com quase dez meses em andamento, a atual operação da Polícia Federal tem em sua lista de suspeitos grandes empreiteiras com participação em obras públicas, políticos da base aliada do governo e da oposição de direita e as grandes legendas partidárias. E a relação de envolvidos cresce a cada dia, à medida que novas denúncias vão surgindo.
 
Entre os partidos com representação na Câmara dos Deputados, o PSOL é o único sem qualquer tipo de envolvimento com as empreiteiras citadas. O estatuto do partido veta expressamente o financiamento de grandes empresas, empreiteiras e bancos nas campanhas eleitorais de seus candidatos. Os dados apurados até agora apontam, no entanto, que mais de 300 parlamentares, de diversos partidos, foram eleitos com o dinheiro de empreiteiras, sendo 255 diretamente pelas investigadas na operação da PF.
 
Na semana passada, os novos nomes que apareceram na investigação confirmam que tanto a oposição de direita quanto a base aliada do governo têm ainda muito a dar explicações. E continua a lógica do “sujo falando do mal lavado”, conforme sugere a célebre frase utilizada pela candidata do PSOL à Presidência da República nas eleições do ano passado, Luciana Genro.
 
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que disputa a Presidência da Câmara dos Deputados, apareceu como suspeito de ter recebido dinheiro do esquema por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como “Careca”, apontado como um dos funcionários do doleiro Alberto Youssef, preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Embora negue ter qualquer envolvimento no caso apurado pela Polícia Federal, o peemedebista será alvo de denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) já na primeira semana de fevereiro, quando o Judiciário retomará os trabalhos. Por ser parlamentar, Cunha tem foro privilegiado e, por isso, deve ser investigado pelo STF.
 
Outro citado recentemente nas investigações é o recém eleito senador pelo PSDB de Minas Gerais, Antônio Anastasia. Segundo denúncia apurada pelo jornal Folha de São Paulo, o ex-governador de Minas Gerais e um dos principais aliados do senador Aécio Neves teria recebido das mãos de Jayme Alves de Oliveira Filho (Careca) a quantia de R$ 1 milhão, em 2010, quando era candidato ao Governo de MG. O tucano também nega veementemente a denúncia e afirma não conhecer o policial e nem mesmo Alberto Youssef.
 
Além de Eduardo Cunha, outro nome que deve constar da denúncia que a Procuradoria Geral da República fará ao STF é o do ex-presidente da República e senador por Alagoas, Fernando Collor de Melo (PTB). Analistas da Operação Lava Jato declaram já terem informações suficientes para incluir Collor na denúncia. Isso porque em 2014, policiais federais encontraram no escritório de Youssef comprovantes de depósitos feitos em conta do senador, somando uma quantia de R$ 50 mil. Os depósitos teriam sido feitos em maio de 2013.
 
Reforma para alterar jogo político
O PSOL ressalta que é necessária uma ampla investigação para que todos os envolvidos sejam, de fato, punidos, conforme vem defendendo desde que o esquema de desvios na Petrobras veio à tona. Para o partido, está mais do que comprovado que as grandes legendas da ordem, que receberam quantias estratosféricas de financiamento privado de campanhas nas últimas eleições, possuem políticos envolvidos no escândalo.
 
Luciana Genro argumenta que a Operação Lava Jato demonstra que a corrupção não é realizada apenas por políticos isoladamente, mas é parte do atual sistema político e mostra como os empresários são parte desse jogo sujo. “Dilma e Aécio foram fartamente financiados pelas empreiteiras envolvidas no escândalo. Deputados da base aliada e da oposição de direita foram citados pelos réus”, enfatiza.
 
A ex-candidata do PSOL à Presidência da República afirma que a solução para alterar essa lógica é uma profunda Reforma Política, instituindo mecanismos de barateamento dos custos das campanhas, proibindo o financiamento empresarial e estabelecendo mais meios de participação popular nas decisões do governo, além da participação no processo eleitoral. “Felizmente, um partido no Congresso não faz parte dessas maracutaias: o PSOL. A coerência do nosso partido faz aumentar nossa força nessa luta para mudar a política”, pontua.
 
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) também reforça a defesa do PSOL para que haja investigação de todos os envolvidos. “Onde há fumaça, há fogo. É preciso investigar a verdade sobre todos os partidos envolvidos. Não aceitaremos nenhuma ‘operação abafa’ da mídia”, enfatiza Ivan, lembrando que o PSOL é o único partido com representação na Câmara que não recebeu dinheiro das empreiteiras. “O PSOL tem moral para cobrar”.  

 

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Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional