István Mészáros no Brasil para conferências e lançamentos de livros

O filósofo húngaro István Mészáros está no Brasil para apresentar a conferência “Crise estrutural necessita de mundança estrutural” em quatro cidades brasileiras (São Paulo, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro).

Os encontros marcam o lançamento de três novos títulos da Editora Boitempo: o segundo volume de Estrutura social e formas de consciência, de Mészáros, o livro-homenagem István Mészáros e os desafios do tempo histórico (orgs. Ivana Jinkings e Rodrigo Nobile); e o número 16 da revista Margem Esquerda, publicação semestral de ensaios marxistas, que nesta edição traz entrevista com David Harvey, artigo de Alain Badiou e um artigo sobre a obra de Mészáros, entre outros. Todos os eventos são gratuitos.

Programação completa

08/06 | 19h30 – São Paulo (SP)
Teatro TUCA – PUC-SP
R. Monte Alegre, 1024 – CEP 05014-001, Perdizes – Tel. (11) 3670-8458
Realização: APROPUC, Núcleo de Estudos e Pesquisa em Ética e Direitos Humanos – NEPEDH, Núcleo de Estudos de História: trabalho, ideologia e poder – NEHTIPO, Boitempo Editorial.
Apoio: Faculdade de Ciências Sociais, Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social, Programa de Estudos Pós-Graduados em História, TUCA – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, Boitempo Editorial

13/06 | 18h30 – Salvador (BA)
II Encontro de São Lázaro – FFCH UFBA
Para mais informações e inscrição, visite www.ffch.ufba.br
Estrada de São Lázaro, 197 – CEP 40210- 730, Federação – Tel. (71) 3283-6431
Realização: FFCH UFBA, IPS, Boitempo Editorial

16/06 | 19h – Fortaleza (CE)
Mercado dos Pinhões
Praça Visconde de Pelotas – CEP 60110-210 – Tel. (85) 3105-1569
Realização: Prefeitura de Fortaleza, Universidade Federal do Ceará, Escola Nacional Florestan Fernandes, Boitempo Editorial

20/06 | 18h – Rio de Janeiro (RJ)
Auditório 11 – UERJ (Campus Maracanã)
Rua São Francisco Xavier, 524 – CEP 20550-013, Maracanã – Tel. (21) 2334-0890
Realização: PPFH/UERJ, Flacso, LEMA-UFRJ, ADUFRJ, Boitempo Editorial

István Mészáros

Filósofo húngaro e está entre os mais importantes intelectuais marxistas da atualidade. Professor emérito da Universidade de Sussex, na Inglaterra, onde ensinou filosofia por 15 anos, anteriormente foi também professor de Filosofia e Ciências Sociais na Universidade de York, durante 4 anos.

Proveniente de uma familia modesta, foi criado pela mãe, operária, e, por força da necessidade, tornou-se ele também trabalhador em uma indústria de aviões de carga, quando mal entrava na adolescência. Com apenas doze anos, o jovem István alterou seu registro de nascimento para alcançar a idade mínima de dezesseis anos e ser aceito pela fábrica. Assim, como homem adulto, passava a receber maior remuneração que a de sua mãe, operária qualificada da Standard Radio Company (uma corporação transnacional estadunidense). A diferença considerável entre suas remunerações semanais foi a primeira experiência marcante e a mais tangível em seu aprendizado sobre a natureza dos conglomerados estrangeiros e da exploração particularmente severa das mulheres pelo capital.

Somente após o final da Segunda Guerra, em 1945, pôde de dedicar melhor aos estudos. Começou a trabalhar como assistente de Lukács no Instituto de Estética da Universidade de Budapeste, em 1951, e defendeu sua tese de doutorado, em 1954. Mészáros seria o sucessor de Lukács na Universidade, porém, após o levante húngaro de outubro de 1956 e com a entrada das tropas soviéticas na Hungria, exilou-se na Itália, onde lecionou na Universidade de Turim, indo posteriormente trabalhar na St. Andrews (Escócia), onde recebeu o título de Professor Emérito, em 1991.

Sua experiência como operário que teve acesso aos estudos, na Hungria socialista, em meio às grandes tragédias do século XX, foi possivelmente determinante para a compreensão da educação como forma de superar os obstáculos da realidade: István assim como Donatella, sua companheira desde 1955, sempre militou em defesa da escola das maiorias, das periferias, aquela que oferece possibilidades concretas de libertação para todos.

Mészáros sustenta que a educação deve ser sempre continuada, permanente, ou não é educação. Defende a existência de práticas educacionais que permitam aos educadores e alunos trabalharem as mudanças necessárias para a construção de uma sociedade na qual o capital não explore mais o tempo de lazer, pois as classes dominantes impõem uma educação para o trabalho alienante, com o objetivo de manter o homem dominado. Já a educação libertadora teria como função transformar o trabalhador em um agente político, que pensa, que age e que usa a palavra como arma para transformar o mundo. Para ele, uma educação para além do capital deve, portanto, andar de mãos dadas como a luta por uma transformação radical do modelo econômico e político hegemônico. Estudioso das obras de Marx, Mészáros alerta que a sociedade só se transforma pela luta de classes, e é necessário romper com a lógica do capital, se quisermos contemplar a criação de uma alternativa educacional significativamente diferente.

*Com informações da Editora Boitempo.

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Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional